Ao transformar a sua organização, integre o antigo e o novo

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Ao transformar a sua organização, integre o antigo e o novo

Artigo
Ao transformar a sua organização, integre o antigo e o novo

As organizações são sistemas geralmente projetados para reproduzir, repetidas vezes, um tipo específico de competência. Tendem a confiar em rotinas, papéis, expectativas culturais e identidades já conhecidas para conseguir um desempenho consistente nas tarefas mais comuns. Essas estruturas estáveis permitem que as organizações reduzam sua dependência de indivíduos específicos, conservando o que foi aprendido ao longo do tempo. Essencialmente, as organizações são projetadas para permanecer como estão. Alguns teóricos argumentam que é mais provável que as organizações desapareçam do que passem por uma grande transformação.

Entretanto, os líderes das organizações com frequência entendem que, diante de disrupções significativas como a globalização e a digitalização, é essencial passar por importantes transformações organizacionais e renovações estratégicas. Esses empreendedores estão muito familiarizados com a tensão positiva associada ao ato de fazer negócios da forma como é (a exploração “no mau sentido”) e de uma forma inovadora (a exploração “no bom sentido”). Entretanto, a simples consciência do poder dessa tensão muitas vezes não é suficiente para conseguir alcançar, de fato, uma combinação de ambas na prática, permitindo que as organizações sejam ambidestras.

Abordagens para a ambidestria

Há quatro abordagens para que as organizações possam ser ambidestras:

  1. Criar ou adquirir uma unidade separada independente focada em atividades exploratórias.
  2. Alocar um momento especial para a exploração positiva (por exemplo, um dia por mês).
  3. Definir pessoas dentro da unidade para trabalhar em tarefas exploratórias.
  4. Criar uma cultura na qual todos estejam explorando positivamente e se sintam empoderados para desafiar formas existentes de trabalhar para descobrir novos valores.

Os empreendedores devem analisar cada uma dessas abordagens e ver qual se encaixa melhor. Por exemplo, se uma organização não tem uma forte cultura baseada em aprendizagem e experimentação, abordagens de separação estrutural (tal como criar uma unidade independente) podem funcionar melhor. Uma nova unidade permitiria que brotassem ideias inovadoras antes que a pressão de gerar receitas e lucros sufocassem as novas ideias.

Ao lidar com disrupção digital, criar uma unidade de negócios separada ou adquirir uma start-up em um espaço relacionado pode ser algo particularmente frutífero.Isso acontece porque os modelos de negócios que funcionam na esfera digital podem ser, muitas vezes, uma ameaça para os funcionários atuais, pois substituem o trabalho manual pela automação e questionam seu conhecimento ao introduzir especialistas de fora, como por meio do crowdsourcing e da análise preditiva. Essas iniciativas provavelmente encontrarão forte resistência.

A criação e o desenvolvimento de um experimento digital interno é uma abordagem para a transformação digital que eu vi ocorrer em muitas organizações. Entretanto, os desafios surgem quando a alta liderança decide que um modelo em formato digital precisa substituir as formas tradicionais de trabalho. Como se lida com essa imensa transformação? Uma das respostas é: descartar completamente a organização tradicional. Entretanto, com essa abordagem, é provável que se percam no processo valiosas competências e relacionamentos existentes. Proponho uma abordagem em três pilares que deve ajudar as organizações a integrar o melhor do velho e do novo quando se trata de incluir os experimentos de transformação digital dentro dos processos diários de negócios. Vou me concentrar no tipo de experimento digital que transforma os processos organizacionais focados em inovação e os processos de tomada de decisões.

A abordagem em três pilares

Começarei com esta premissa: bem lá no fundo, as crenças e atitudes da organização com relação a produzir os melhores insights para um problema, ou para projetar produtos e serviços inovadores, estão arraigados, e os atores organizacionais estão fortemente comprometidos com essas crenças e atitudes. Portanto, o primeiro passo para aumentar a retenção de uma parte relevante da competência organizacional durante o processo de renovação é se envolver em experimentos digitais que não violem essas crenças e atitudes tão profundas. Embora os processos implementados digitalmente possam ter um aspecto muito diferente daqueles tradicionais, eles ainda podem ser consistentes com essas crenças. Para descobri-las, os líderes precisam se envolver em um exercício de reflexão com seus grupos para conhecer as atitudes coletivas dos indivíduos da organização no sentido de produção de conhecimento, e como esses indivíduos avaliam o que é válido ou não.

Em segundo lugar, ao integrar o velho e o novo, é importante perceber que precisam ser criadas novas estruturas organizacionais; precisam ser feitos ajustes  no conjunto de práticas mais exploratórias, de forma que essas novas práticas comecem a se tornar mais eficientes e dimensionáveis. Para construir essa nova organização híbrida, é importante reunir uma equipe de transição que (a) inclua membros tanto da organização antiga quanto da nova e (b) possa negociar trocas razoáveis. É provável que os membros da organização antiga resistam às novas práticas. Uma forma de superar sua resistência é permitir que pratiquem algumas tarefas de uma nova maneira, para que possam ver o valor dessas novas abordagens. Se desenvolverem essa aceitação, ajudarão a espalhar a nova prática entre seus colegas.

Claro, tudo isso é muito mais fácil de dizer do que de fazer. A terceira parte dessa abordagem, que é crucial, é o papel do CEO e de outros líderes mais experientes na hora de comunicar uma visão clara e um compromisso com a mudança, alocar recursos para possibilitar a mudança e ajustar as métricas que recompensam a aprendizagem de novas práticas. Uma comunicação clara por parte do executivo de sua visão da transformação não a tornará, por si só, uma realidade. Mas essa comunicação servirá como combustível útil para lidar com as lutas cotidianas.

 

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