A aprendizagem deve ocorrer em um ecossistema no qual cada indivíduo possa aprender e ensinar

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A aprendizagem deve ocorrer em um ecossistema no qual cada indivíduo possa aprender e ensinar

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A aprendizagem deve ocorrer em um ecossistema no qual cada indivíduo possa aprender e ensinar

Os ambientes formais e tradicionais de aprendizagem sempre colocaram o professor ou especialista em um palco, tratando os alunos, de forma geral, como esponjas que precisavam absorver seu conhecimento. Não é de surpreender, portanto, que o e-learning costume reproduzir essa tendência, despejando conteúdo sobre os estudantes, que assistem aos módulos e depois fazem testes para medir o quanto guardaram do conhecimento. Entretanto, esse tipo de filosofia de aprendizagem, “de cima para baixo”, pode desmotivar o aluno. Mas o que talvez seja ainda mais importante é que os ambientes de aprendizagem tradicionalmente verticalizados tendem a esquecer a especificidade e a importância do contexto na aprendizagem, e podem ter pouca relevância para as necessidades específicas de cada pessoa.

A resposta construtivista para esse problema baseia-se precisamente no contexto e na ênfase centrada no aluno a fim de criar experiências de aprendizagem nas quais os estudantes formem ou construam seu aprendizado e sua compreensão de acordo com as experiências que tiveram nas mais diversas situações (Schunk, 2000). Para Duffy e Cunningham, a aprendizagem é vista mais como um processo ativo de construção do que de aquisição de conhecimento. Quando observado a partir da perspectiva construtivista, o papel do vídeo evolui de um “paradigma de apresentação”, cuja meta é principalmente transmitir conhecimentos, a uma ferramenta que abre um leque novo e amplo de estratégias para envolver o aluno na construção de seu próprio conhecimento (Burden; Atkinson, 2011). Dessa forma, a ênfase deixa de estar no instrutor e no conteúdo, passando a estar no aprendiz (Gamoram; Secada; Marrett, 1998).

Para gerar essas experiências construtivistas, os instrutores precisam se adaptar ao papel de facilitadores, e não de professores (Bauersfeld, 1995), com uma crescente importância do acompanhamento ao longo do processo de aprendizagem (Archee; Duin, 1995; Brown et al., 1989). Além disso, o ambiente educacional deve ser planejado de forma a oferecer apoio e desafiar a inteligência do estudante (Di Vesta, 1987). O “professor” se torna um facilitador que está em diálogo contínuo com os alunos (Rhodes; Bellamy, 1999) e que deve também adaptar a experiência de aprendizagem durante o processo, tomando a iniciativa de direcionar essa experiência para o ponto em que os alunos desejam a fim de criar valor.

Entretanto, a aprendizagem não acontece apenas a partir de um especialista ou mentor: a capacidade de aprender com os outros também é uma força essencial no construtivismo. O mundo é complexo, e é crucial poder levar em consideração vários pontos de vista para conquistar conhecimento e competências. Dessa forma, estudantes com diferentes competências e experiências devem colaborar em tarefas e discussões para chegarem a uma compreensão compartilhada da verdade em um campo específico (Duffy; Jonassen, 1992). Além disso, as organizações contemporâneas muitas vezes lutam para manter o conhecimento quando os profissionais vão embora ou se aposentam, já que os programas de Treinamento & Desenvolvimento costumam ser conduzidos como iniciativas verticais, de cima para baixo. O construtivismo social fornece uma alternativa muito desejável que permite que os aprendizes compartilhem conhecimento com os outros e se tornem, eles próprios, professores. Os alunos devem se apropriar do processo de problemas e soluções, já que a meta essencial é dar apoio a eles para que se tornem pensadores efetivos. Consegue-se isso quando são adotados no processo múltiplos papéis, como o de consultor e coach. Nessas situações, a aprendizagem cooperativa permite que as pessoas de certo grupo alternem papéis como professores e como alunos (Krych et al., 2005). O uso do Ensino por Pares Recíprocos (RPT, na sigla em inglês) tem se mostrado eficaz para o desenvolvimento do trabalho em equipe, da liderança e de competências de comunicação, além de melhorar a compreensão dos alunos sobre o conteúdo do curso.

Tecnologia, de acordo com Jonasse, Peck e Wilson (1999), refere-se aos projetos e ambientes que envolvem os alunos. O foco do construtivismo e da tecnologia reside, portanto, na criação de ambientes de aprendizagem. Da mesma forma, Hannfin e Hill (2002) ilustram esses ambientes de aprendizagem como contextos nos quais são fornecidas as ferramentas de construção do conhecimento e os meios para criar e manipular os dispositivos propícios para a compreensão, e não nos quais os conceitos são explicitamente ensinados… Ou seja, um local em que os alunos trabalham juntos e ajudam uns aos outros na medida em que utilizam diversas ferramentas e recursos de aprendizagem em sua busca por metas de aprendizagem e atividades de resolução de problemas.

O conhecimento, portanto, não deve ser dividido em diferentes temas ou compartimentos, e sim ser descoberto como um todo integrado (McMahon, 1997; Di Vesta, 1987). É importante que os instrutores percebam que, embora possam receber um currículo definido, este inevitavelmente será moldado por eles de uma forma pessoal que reflita seus próprios sistemas de crenças, pensamentos e sentimentos, tanto sobre o conteúdo de ensino quanto sobre os alunos.

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